A ORDEM CISTERCIENSE

UM MODELO CRISTÃO DE MODERNIZAÇÃO NA IDADE MÉDIA

Autores

  • Gotthard Oblau Refidim

DOI:

https://doi.org/10.29327/2419655.16.2-9

Palavras-chave:

modernização

Resumo

1.1. Como o conceito tradicional de modernização parece ter chegado a um impasse, é apropriado estudar modelos pré-modernos de economia e inovação em busca de alternativas novas e sustentáveis.
1.2. Na história europeia, um desses modelos foi encarnado pela ordem monástica cisterciense durante os dois primeiros séculos de sua existência (1100-1300 d.C.). Os cistercienses representavam não apenas uma ética de trabalho altamente desenvolvida e
um estilo de vida ascético, mas também uma ética econômica e uma filosofia de produção, ambas moldadas por valores nitidamente cristãos.
1.3. O exemplo cisterciense demonstra que:

a) A Idade Média europeia testemunhou uma revolução tecnológica tão abrangente quanto o progresso dos séculos XVIII e XIX;
b) A monasticismo medieval foi um movimento não tanto de fanáticos religiosos que tentavam fugir do mundo, mas de cristãos comprometidos em servir ao mundo;
c) Uma práxis cristã que não se limita à esfera privada da vida, mas aplica seus padrões éticos também à esfera da produção e da economia, pode levar a modelos de desenvolvimento verdadeiramente humanitários.


2. Os mosteiros cistercienses eram comunidades rurais autossustentáveis com um rigoroso código disciplinar. A vida monástica era moldada por simplicidade e igualdade, pelo culto comunitário e pelo trabalho manual. Abadias e propriedades rurais monásticas não eram operadas apenas por monges, mas também por irmãos leigos, que eram camponeses ou artesãos recrutados localmente. Eles serviam como ponte entre os mosteiros e a população local e foram a chave do sucesso econômico e do impacto modernizador da ordem. 

3. Por meio de exemplos práticos, os cistercienses disseminaram por toda a Europa as mais recentes inovações de produção de seu tempo. Elas incluíam novos tipos de grãos, o sistema rotativo de três talhões, o arreio de coleira para cavalos, cultivo de frutas e métodos de enxertia, criação de ovelhas, criação de gado, viticultura, horticultura, apicultura, piscicultura, técnicas de irrigação e drenagem, o moinho de água, o moinho de vento, o eixo de comando, a tomboreamento mecânico, a extração de minério de ferro, o moinho de ferro, a fundição de ferro e o arado de ferro.
4.1. Em vista do estilo próprio de vida e economia, e por preferir locais remotos, os cistercienses se identificavam com os atrasados e marginalizados de seu tempo, disseminando a modernização dos centros para as periferias.
4.2. Em sintonia com a doutrina econômica cristã da Idade Média, os cistercienses promoviam uma economia voltada às necessidades básicas e que beneficiasse largamente as massas rurais.
4.3. De acordo com sua percepção religiosa da natureza, os cistercienses praticavam uma economia ecologicamente correta e promoviam a ideia do uso racional e sustentável dos recursos naturais limitados.
4.4. A integração cisterciense de teoria (pesquisa) e prática (produção), bem como o equilíbrio praticado entre uma estrutura de poder descentralizada (autonomia local) e um sistema centralizado de troca de experiências (conhecimento compartilhado),
evidenciaram-se como muito propícios para os impactos modernizantes da ordem.

Biografia do Autor

Gotthard Oblau, Refidim

Doutor em teologia, pastor aposentado residente na Alemanha. Palestra apresentada na Consulta Internacional “Cristianismo e Modernização” em Pequim – China (10 a 14 de outubro de 1994), traduzida do inglês com autorização do autor por Werner Fuchs.

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Publicado

19.11.2025

Como Citar

Oblau, G. (2025). A ORDEM CISTERCIENSE: UM MODELO CRISTÃO DE MODERNIZAÇÃO NA IDADE MÉDIA. AZUSA: Revista De Estudos Pentecostais, 16(2). https://doi.org/10.29327/2419655.16.2-9